Veja como usar Tabela de Consultoria do DNIT, RAIS e CBO para justificar honorários, encargos e custos de equipes em orçamentos de engenharia consultiva.

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A referência de honorários em engenharia consultiva não deve nascer de um valor escolhido por experiência, de uma pesquisa genérica na internet ou dos honorários de um profissional específico. Para formar um orçamento auditável, a Administração precisa demonstrar de onde veio a remuneração atribuída a cada função, qual ocupação foi usada como comparável, qual região e data-base foram consideradas e como os honorários foram convertidos em custo de mão de obra.

O Guia de Engenharia de Custos em Obras Públicas do TCU, publicado em 2026, apresenta uma hierarquia prática de fontes para esse trabalho. A Tabela de Preços de Consultoria do DNIT é uma das referências centrais porque publica categorias profissionais, metodologia e memórias de cálculo. RAIS e CBO permitem construir recortes ocupacionais e regionais. PNAD Contínua, sistemas referenciais, entidades técnicas e instrumentos coletivos podem complementar a análise. A qualidade do orçamento está menos em escolher uma única tabela e mais em documentar por que a referência representa a equipe efetivamente necessária.

Por que os honorários são uma premissa crítica na engenharia consultiva

Em projetos, supervisão, gerenciamento, estudos, pareceres e demais serviços predominantemente intelectuais, a mão de obra especializada costuma concentrar parcela relevante do custo. Pequenas alterações nos honorários-base podem se propagar por encargos sociais, benefícios, custos administrativos e demais componentes da formação do preço.

A dificuldade é que “engenheiro” não é uma unidade homogênea. Especialidade, senioridade, responsabilidade, disponibilidade regional, experiência exigida, regime de trabalho e condições de mobilização alteram o mercado de remuneração.

Por isso, uma planilha pode estar matematicamente correta e ainda estar tecnicamente frágil se os honorários de partida não tiver fonte comparável ao perfil exigido.

O TCU admite múltiplas fontes, mas exige coerência e rastreabilidade

O Guia de 2026 lista fontes que podem sustentar a estimativa de honorários de serviços de engenharia consultiva. Entre elas estão a Tabela de Preços de Consultoria do DNIT, SINAPI, SICRO, referências de entidades e empresas públicas, RAIS, PNAD Contínua, convenções coletivas e fontes privadas subsidiárias.

A lista não deve ser lida como autorização para escolher qualquer valor conveniente. Cada fonte responde a uma pergunta diferente.

  • uma tabela referencial de consultoria pode fornecer categorias e custos já estruturados para contratação;
  • a RAIS pode mostrar remuneração observada no emprego formal com recortes ocupacionais e territoriais;
  • a CBO permite definir qual ocupação está sendo medida;
  • a PNAD Contínua amplia a leitura do mercado de trabalho;
  • convenções coletivas estabelecem pisos e condições específicas;
  • pesquisa privada pode complementar lacunas, mas não deve substituir fonte oficial disponível sem justificativa.

A memória de cálculo deve registrar qual papel cada fonte cumpriu.

Tabela de Preços de Consultoria do DNIT: por que ela é uma referência forte

O DNIT mantém uma estrutura própria de custos referenciais para engenharia consultiva. Ela é utilizada para atividades ligadas ao planejamento, estudos, projetos, supervisão, gerenciamento, meio ambiente, desapropriação, reassentamento e outras funções técnicas associadas à infraestrutura.

O TCU registra que a utilização da referência do DNIT para engenharia consultiva foi examinada em precedentes como os Acórdãos 2.215/2012, 311/2013 e 2.438/2013, todos do Plenário. O valor do sistema não está apenas nos números publicados, mas na existência de metodologia e memórias de cálculo.

Em 2026, o DNIT publicou relatórios de janeiro e abril para a Tabela de Preços de Consultoria. O Informativo nº 01/2026 também comunicou atualização da metodologia do relatório de mão de obra, incluindo novas categorias e revisão do tratamento de profissionais júnior e pleno em determinadas profissões. Isso reforça uma regra operacional: o orçamentista deve verificar a versão vigente e o relatório de ocorrências antes de usar a tabela.

Honorários, custo de mão de obra e preço de venda são grandezas diferentes

Um dos erros mais comuns é comparar diretamente honorários de mercado com valor mensal de uma composição de consultoria.

Os honorários são apenas uma das parcelas do custo. A metodologia do DNIT para mão de obra de engenharia consultiva estrutura o custo a partir de componentes como:

  • honorários;
  • encargos sociais e trabalhistas;
  • encargos complementares;
  • encargos adicionais, quando aplicáveis.

Depois, a formação do preço do serviço pode envolver outros componentes da estrutura de consultoria, despesas diretas, administração, BDI ou fator multiplicador conforme a metodologia adotada.

Assim, uma remuneração da RAIS de determinada ocupação não pode ser comparada diretamente com uma tarifa mensal ou horária de consultoria sem reconciliação das bases.

CBO: o filtro que define qual ocupação está sendo comparada

A Classificação Brasileira de Ocupações é o sistema oficial de identificação e codificação das ocupações do mercado de trabalho brasileiro. Ela é classificatória: reconhece e descreve ocupações, mas não regulamenta profissões.

Para pesquisa de honorários, a CBO ajuda a evitar agregações excessivas. Em vez de buscar apenas “engenharia”, é possível selecionar a ocupação mais aderente à função necessária e documentar o código utilizado.

Essa escolha precisa ser tecnicamente justificada. Um cargo contratual chamado “engenheiro especialista” pode não corresponder diretamente a um único título da CBO. A Administração deve analisar atividades, formação requerida, responsabilidade e experiência para definir o comparável.

A CBO é, portanto, uma ponte entre a descrição da função no Termo de Referência e os dados estatísticos utilizados na estimativa.

RAIS: como transformar dados do emprego formal em referência de honorários

A Relação Anual de Informações Sociais consolida informações do emprego formal e permite análises de remuneração, vínculos, atividade econômica e distribuição territorial. O TCU destaca a RAIS como fonte útil para orçamentos de engenharia consultiva e registra sua utilização por unidades técnicas em análises de preços.

Em junho de 2026, o Ministério do Trabalho e Emprego disponibilizou os resultados da RAIS 2025, incluindo tabelas, painel, nota técnica e microdados. Isso permite trabalhar com uma base oficial recente, respeitando o tempo de defasagem próprio de uma estatística anual.

Uma pesquisa de honorários estruturada pode combinar:

  1. CBO da ocupação;
  2. Unidade da Federação ou região relevante;
  3. atividade econômica ou perfil do empregador, quando útil;
  4. período de referência;
  5. medida estatística escolhida;
  6. quantidade de vínculos que sustenta o resultado.

O último item é importante. Um valor obtido de amostra muito pequena pode não representar o mercado com estabilidade suficiente.

Média, mediana e percentil: o número estatístico precisa ser explicado

A média de remuneração é intuitiva, mas pode ser influenciada por poucos valores extremos. A mediana mostra o ponto central da distribuição e pode ser mais robusta quando existe grande dispersão. Percentis ajudam a representar funções que exigem experiência ou qualificação acima do padrão da ocupação.

Não existe uma regra universal segundo a qual todo orçamento deva usar média, mediana ou um percentil específico. O método precisa refletir o perfil contratado.

Se o Termo de Referência exige profissional com longa experiência, certificações raras, atuação em empreendimento complexo e responsabilidade de coordenação, usar automaticamente a remuneração média de todos os vínculos de uma CBO pode subestimar o mercado. O caminho correto é demonstrar o ajuste e, se necessário, usar mais de uma fonte para teste de consistência.

Recorte regional: por que uma tabela nacional pode não representar o local

A RAIS permite enxergar diferenças territoriais que uma referência nacional pode diluir. O próprio material divulgado pelo MTE para a RAIS 2025 mostra remunerações médias distintas entre unidades da Federação.

Em engenharia consultiva, o local da prestação pode afetar disponibilidade profissional, necessidade de mobilização, diárias, alojamento e prêmio de atração. Esses efeitos não devem ser todos escondidos nos honorários-base: alguns pertencem a despesas diretas ou logística. Ainda assim, o recorte regional ajuda a verificar se a premissa de honorários é compatível com o mercado relevante.

Quando a contratação é nacional ou admite trabalho remoto, a Administração deve explicar qual mercado está tomando como referência.

Senioridade contratual não deve ser confundida com título estatístico

Júnior, pleno, sênior, especialista, coordenador e responsável técnico são classificações usadas em estruturas organizacionais e referenciais de consultoria. A RAIS e a CBO não necessariamente reproduzem essa hierarquia da mesma forma.

Por isso, o memorial precisa construir a equivalência.

Elemento contratualEvidência necessária
Funçãoatividades e responsabilidade previstas
Formaçãograduação, especialização ou certificações exigidas
Experiênciatempo e natureza da experiência mínima
CBO de referênciaocupação estatisticamente comparável
Senioridadecritério usado para diferenciar níveis
Fonte de honoráriosDNIT, RAIS, instrumento coletivo ou outra fonte
Data-basemês/ano ao qual o valor se refere

Essa matriz evita que uma exigência de senioridade seja convertida em percentual arbitrário sobre um honorários médios.

DNIT e RAIS não precisam produzir o mesmo valor

Diferenças entre as fontes são esperadas porque elas medem coisas diferentes.

A Tabela de Consultoria do DNIT é uma referência construída para orçamento de serviços de engenharia consultiva, com categorias e metodologia próprias. A RAIS observa relações formais de trabalho efetivamente declaradas no mercado. Uma fonte é normativa/referencial para um contexto de contratação; a outra é estatística.

Se os valores forem próximos, isso aumenta a confiança na premissa. Se forem distantes, a divergência deve ser investigada.

Possíveis causas incluem:

  • diferenças de senioridade;
  • recorte territorial;
  • especialidade profissional;
  • data-base;
  • porte das empresas;
  • natureza das atividades;
  • composição do valor comparado;
  • escassez da ocupação;
  • benefícios ou parcelas não incluídas nos honorários estatístico.

A resposta técnica não é escolher automaticamente o menor ou o maior valor, mas explicar qual fonte é mais aderente ao objeto.

PNAD Contínua: quando ela ajuda

A PNAD Contínua, produzida pelo IBGE, é outra fonte oficial para análise do mercado de trabalho. Seu desenho amostral e seus agrupamentos diferem da RAIS, que se concentra no emprego formal declarado administrativamente.

Ela pode ser útil para verificar tendências de rendimento e mercado de trabalho, especialmente quando a Administração deseja uma leitura mais ampla. Para função técnica muito específica, entretanto, a abertura ocupacional ou regional disponível pode não ter a granularidade necessária.

Nesse caso, a PNAD funciona melhor como fonte de consistência do que como único parâmetro dos honorários contratuais.

Convenção coletiva e piso profissional: referência mínima não é necessariamente preço de mercado

Instrumentos coletivos podem definir pisos, adicionais, benefícios e outras obrigações que afetam o custo de mão de obra. Eles precisam ser observados quando aplicáveis.

Entretanto, piso remuneratório não deve ser confundido com remuneração típica de profissional sênior ou especialista. O piso cumpre função jurídica e econômica distinta da pesquisa de mercado.

O memorial deve separar:

  • obrigação mínima legal ou coletiva;
  • remuneração de mercado adotada;
  • benefícios e encargos complementares;
  • despesas de mobilização e permanência.

Fontes privadas devem ser subsidiárias quando existe fonte oficial aderente

Sites de empregos e remuneração podem trazer informação útil, especialmente em ocupações novas ou em mercados com baixa cobertura nas bases públicas. Mas dados privados podem ter metodologia pouco transparente, amostras autodeclaradas ou dificuldade de reproduzir o resultado depois.

O Guia do TCU cita o portal salario.com.br como possibilidade subsidiária quando fontes oficiais adequadas não forem encontradas. A palavra-chave é subsidiária.

Em uma contratação pública, a Administração ganha robustez quando privilegia fontes reproduzíveis e conserva evidência da consulta realizada.

Como construir um memorial de premissas de honorários por função

O produto técnico deve permitir que outro profissional reconstrua a decisão sem depender de explicação oral do autor da planilha.

Uma estrutura mínima pode conter:

CampoConteúdo
Função contratualnome usado na equipe
Atividadessíntese do que o profissional executará
Formação e experiênciarequisitos do Termo de Referência
CBOcódigo e título de referência
Fonte principalDNIT, RAIS ou outra
Fonte de contrastesegunda referência independente
RegiãoBrasil, UF, região ou mercado definido
Data-baseperíodo dos dados
Estatísticamédia, mediana, percentil ou valor referencial
Valor de honoráriosremuneração adotada
Ajustesatualização, senioridade ou equivalência justificada
Encargosmemória separada
Custo finalcusto de mão de obra após incidências aplicáveis

O campo “fonte de contraste” é particularmente útil em funções que concentram valor ou apresentam grande variação entre bases.

Curva ABC da equipe: concentre a validação onde o impacto econômico é maior

Nem todas as funções possuem o mesmo peso no orçamento. Uma equipe pode ter dezenas de categorias, mas poucas concentram grande parcela do custo total.

A mesma lógica da Curva ABC usada em insumos de obras pode ser aplicada à equipe de consultoria: ordenar as funções pelo impacto econômico e aprofundar a validação das mais relevantes.

Para funções da faixa A, vale verificar pelo menos duas fontes, aderência de senioridade, disponibilidade regional e memória dos encargos. Para funções de baixa materialidade, uma fonte oficial aderente pode ser suficiente.

Isso torna o esforço de pesquisa proporcional ao risco de erro.

Horas-técnicas: os honorários não definem sozinhos o custo do produto

Depois de escolher o custo de cada categoria, ainda é necessário estimar esforço. Um projeto não custa mais apenas porque utiliza profissionais caros; custa conforme combinação entre custo-hora, horas necessárias, produtividade e estrutura de suporte.

O orçamento precisa manter separadas duas premissas:

custo da função = custo mensal ou horário do profissional

custo do produto = custo da função × esforço necessário + demais recursos aplicáveis

Misturar as duas etapas dificulta identificar se uma divergência de preço decorre de honorários, quantidade de horas ou produtividade.

O artigo sobre preço de engenharia consultiva segundo o TCU aprofunda a formação completa do preço, incluindo equipe, esforço, despesas e fator de remuneração.

Engenharia consultiva e desoneração da folha exigem cuidado de enquadramento

O Guia de 2026 registra que empresas de engenharia e arquitetura enquadradas no grupo CNAE 711 permanecem, em regra, no regime previdenciário ordinário tratado pelo documento, sem transportar automaticamente a sistemática de desoneração da construção civil para serviços de consultoria.

Esse ponto evita um erro frequente: usar encargos de mão de obra de uma obra de construção para formar o custo de uma equipe de projeto ou supervisão sem verificar o enquadramento da atividade.

A definição tributária deve ser validada para o caso concreto, mas o princípio orçamentário é estável: honorários, encargos e regime previdenciário precisam pertencer à mesma premissa.

Como atualizar valores de uma fonte com data-base anterior

A atualização deve preservar a natureza do dado. Não é adequado simplesmente aplicar um índice geral a quaisquer honorários sem verificar se existe publicação mais recente da própria fonte.

Uma sequência recomendável é:

  1. procurar atualização da fonte original;
  2. verificar alteração metodológica;
  3. se não houver dado novo, definir índice compatível com a natureza do custo;
  4. registrar período e fórmula de atualização;
  5. testar o resultado contra outra fonte contemporânea.

Em setembro de 2026, por exemplo, o DNIT disponibiliza relatórios de consultoria referentes a janeiro e abril de 2026 e publicou informativos metodológicos no mesmo ano. Antes de indexar um valor antigo, deve-se verificar essas versões.

Erros recorrentes na pesquisa de honorários

Os problemas mais comuns são metodológicos, não aritméticos:

  • informar honorários sem fonte;
  • usar remuneração nacional para mercado regional restrito sem análise;
  • comparar remuneração da RAIS com tarifa de consultoria;
  • escolher CBO apenas pelo nome, sem comparar atividades;
  • aplicar percentual arbitrário para transformar júnior em sênior;
  • usar piso coletivo como se fosse remuneração de mercado;
  • utilizar fonte privada quando existe fonte oficial aderente;
  • ignorar a data-base;
  • atualizar dado antigo sem verificar nova publicação;
  • misturar encargos de regimes previdenciários diferentes;
  • não documentar quantidade de vínculos ou qualidade da amostra;
  • validar todas as funções com o mesmo nível de esforço, ignorando materialidade.

Checklist para o orçamento de uma equipe de engenharia consultiva

Antes de aprovar a planilha, verifique se:

  • cada função possui descrição de atividades;
  • formação, experiência e responsabilidade estão coerentes com a senioridade;
  • existe CBO ou justificativa de comparabilidade;
  • a fonte de honorários é identificada;
  • a data-base está registrada;
  • o recorte territorial é compatível com a contratação;
  • a medida estatística foi explicada;
  • funções economicamente relevantes têm fonte de contraste;
  • honorários foram separados de encargos e demais custos;
  • a jornada usada na conversão mensal/hora está documentada;
  • o regime previdenciário é coerente com a atividade;
  • a quantidade de horas ou meses decorre do esforço do produto;
  • a versão da Tabela de Consultoria do DNIT foi conferida, quando utilizada;
  • o relatório de ocorrências do DNIT foi consultado;
  • a memória permite reprodução por terceiro.

Como a A3A Engenharia estrutura a referência de mão de obra

Na Engenharia de Custos, a pesquisa de honorários deve integrar a arquitetura completa do orçamento. A A3A Engenharia trata a função profissional como uma premissa rastreável: requisito → ocupação comparável → fonte → data-base → honorários → encargos → custo-hora → esforço → preço do produto.

O serviço de Engenharia de Custos para Obras e Serviços de Engenharia pode estruturar memórias de honorários, equipes, horas-técnicas, encargos e fatores de formação de preço. Em contratos recorrentes ou sob demanda, os Serviços Continuados de Engenharia Consultiva podem ainda combinar HTE, LPU e ordens de serviço com bases documentadas de remuneração.

Considerações finais

A melhor referência de honorários não corresponde necessariamente ao menor, ao maior ou ao mais recente valor encontrado. É o valor cuja origem, comparabilidade e transformação em custo podem ser demonstradas.

A Tabela de Preços de Consultoria do DNIT oferece uma referência estruturada para engenharia consultiva. RAIS e CBO acrescentam evidência estatística e regional. PNAD Contínua, instrumentos coletivos e outras fontes ajudam a testar a aderência. Quando essas camadas convergem, a Administração reduz a subjetividade do orçamento.

A disciplina central é separar as etapas. Primeiro define-se a função. Depois escolhe-se a ocupação comparável. Em seguida pesquisa-se os honorários e documenta-se a data-base. Só então entram encargos, custos complementares, esforço e demais componentes do preço.

Essa cadeia transforma uma premissa de honorários — normalmente vulnerável a questionamentos — em evidência de engenharia de custos.

Referências técnicas

[1] TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Engenharia de Custos em Obras Públicas — Um guia de perguntas e respostas. Brasília: TCU, 2026. Item 8.2.1 — fontes referenciais de remuneração para engenharia consultiva.

[2] DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES. Engenharia Consultiva — Tabela de Preços de Consultoria e Manuais de Custos. Disponível em: [DNIT — Engenharia Consultiva](https://www.gov.br/dnit/pt-br/assuntos/planejamento-e-pesquisa/custos-referenciais/engenharia-consultiva-2).

[3] DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES. Relatórios da Tabela de Preços de Consultoria. Atualizado em 3 jul. 2026. Disponível em: [DNIT — Relatórios da Tabela de Consultoria](https://www.gov.br/dnit/pt-br/assuntos/planejamento-e-pesquisa/custos-referenciais/engenharia-consultiva-2/tabela-de-precos-de-consultoria-1/relatorios).

[4] DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES. Informativo nº 01/2026 — Engenharia Consultiva. Atualização do relatório de custos de mão de obra. Brasília, 1 abr. 2026. Disponível em: [DNIT — Informativo nº 01/2026](https://www.gov.br/dnit/pt-br/assuntos/planejamento-e-pesquisa/custos-referenciais/engenharia-consultiva-2/informativos/informativo-no-01-2026-engenharia-consultiva.pdf).

[5] MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. RAIS 2025. Resultados, tabelas, painel, nota técnica e microdados. Atualizado em 17 jun. 2026. Disponível em: [MTE — RAIS 2025](https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/estatisticas-trabalho/rais/rais-2025).

[6] MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Classificação Brasileira de Ocupações — CBO. Disponível em: [MTE — CBO](https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/cbo).

Perguntas frequentes
Qual fonte usar para honorários em engenharia consultiva?

O TCU aponta diversas fontes possíveis. A Tabela de Preços de Consultoria do DNIT é uma referência estruturada; RAIS e CBO ajudam a construir recortes ocupacionais e regionais; PNAD, instrumentos coletivos e outras fontes podem complementar a análise conforme o objeto.

A RAIS pode ser usada para formar honorários de engenheiro em orçamento público?

Sim. O Guia do TCU reconhece a RAIS como fonte oficial útil e destaca a possibilidade de aplicar filtros por CBO e região. O valor precisa ser compatível com função, senioridade, data-base e mercado relevante.

Para que serve a CBO na pesquisa de honorários?

A CBO identifica e codifica ocupações. Ela ajuda a definir qual grupo ocupacional será pesquisado em bases como a RAIS, mas não substitui a descrição da função contratual nem regulamenta a profissão.

A remuneração da RAIS é igual ao custo mensal de um profissional de consultoria?

Não. A remuneração da RAIS é apenas uma parcela. O custo de mão de obra pode incluir encargos sociais, trabalhistas, complementares e outras incidências. O preço de venda do serviço ainda pode incluir despesas e componentes adicionais.

DNIT e RAIS precisam dar o mesmo valor?

Não. São fontes de natureza diferente. A divergência pode decorrer de senioridade, região, data-base, especialidade e metodologia. A Administração deve investigar a diferença e justificar a referência mais aderente ao objeto.

Posso usar salario.com.br como referência principal?

O Guia do TCU o menciona como fonte subsidiária quando fontes oficiais adequadas não forem encontradas. Em contratação pública, fontes oficiais e reproduzíveis devem ser priorizadas sempre que forem aderentes.

Como tratar júnior, pleno e sênior usando RAIS e CBO?

A senioridade contratual deve ser traduzida por critérios de experiência, responsabilidade e requisitos técnicos. Não é adequado aplicar percentuais arbitrários a uma média da CBO sem documentar a equivalência.

Qual deve ser a data-base da pesquisa de honorários?

A data-base deve ser compatível com a data do orçamento. Antes de atualizar valores antigos por índice, deve-se verificar se a própria fonte publicou versão mais recente e registrar qualquer atualização aplicada.

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