O Termo de Referência para obras e serviços de engenharia organiza a contratação em requisitos verificáveis. Ele traduz a solução escolhida, os projetos e os estudos disponíveis em um conjunto coerente de obrigações: objeto, escopo, entregáveis, responsabilidades, condições de execução, critérios de medição, documentação, gestão, fiscalização e aceite.

A A3A Engenharia desenvolve a componente técnica do Termo de Referência e seus anexos com foco em reduzir ambiguidades e criar rastreabilidade entre o que a Administração ou o contratante precisa, o que o fornecedor deve executar e quais evidências serão exigidas para reconhecer a entrega como concluída.

Em contratações públicas, o Termo de Referência deve ser compatível com a fase preparatória prevista pela Lei nº 14.133/2021 e com os demais documentos da contratação. Em engenharia, ele não substitui automaticamente o Anteprojeto, o Projeto Básico, o Projeto Executivo, as especificações ou as memórias de cálculo quando esses documentos forem necessários; ele deve articulá-los em uma base contratual consistente.

Um Termo de Referência pode estar formalmente completo e ainda ser tecnicamente insuficiente.

Quando escopo, interfaces, medição e aceite não conversam entre si, o problema aparece depois como dúvida, proposta incomparável, disputa contratual ou aditivo. Solicite uma revisão técnica antes da publicação.

O que um Termo de Referência de engenharia precisa deixar inequívoco

O documento precisa permitir que diferentes licitantes ou fornecedores compreendam o mesmo objeto e que a fiscalização consiga verificar o cumprimento do contrato sem reinterpretar o escopo durante a execução. Isso exige mais do que descrever atividades em linguagem genérica.

  • qual problema e resultado a contratação pretende atender;
  • qual é o objeto e quais são seus limites;
  • quais requisitos técnicos, funcionais e de desempenho são obrigatórios;
  • quais interfaces pertencem à contratada e quais ficam sob responsabilidade do contratante ou de terceiros;
  • quais documentos, projetos, equipamentos, serviços e evidências devem ser entregues;
  • como ocorrerão mobilização, execução, testes, comissionamento e transição;
  • como será feita a medição e quais condições autorizam pagamento;
  • quais critérios objetivos definem aceite, pendência, reprovação ou necessidade de correção;
  • como mudanças, esclarecimentos, documentos e registros serão governados.

Escopo do serviço

O trabalho pode envolver a elaboração integral do Termo de Referência ou apenas da sua parte técnica. O nível de desenvolvimento depende do objeto, da maturidade do projeto, do regime de contratação, da disponibilidade de levantamentos e do risco associado à execução.

  • análise do ETP, projetos, memoriais, levantamentos e documentos existentes;
  • estruturação e delimitação do objeto;
  • definição de inclusões, exclusões, premissas e interfaces;
  • consolidação de requisitos técnicos e critérios de desempenho;
  • definição de entregáveis e documentos obrigatórios;
  • estruturação do modelo de execução;
  • requisitos de mobilização, segurança, acesso e continuidade operacional;
  • critérios de medição, pagamento e comprovação;
  • critérios de testes, comissionamento, recebimento e aceite;
  • requisitos de qualificação técnica quando tecnicamente justificáveis;
  • regras de documentação, As-Built, Data Book, treinamento e handover;
  • integração com matriz de riscos, orçamento, cronograma e edital.

O Termo de Referência começa antes da redação

Quando a contratação ainda não possui necessidade bem caracterizada, solução definida ou projetos maduros, tentar “escrever o TR” diretamente tende a apenas esconder lacunas em texto contratual. A etapa anterior deve ser tratada por meio de Estudo Técnico Preliminar, levantamentos e, quando necessário, desenvolvimento de Anteprojeto ou Projeto Básico.

O TR deve receber uma solução suficientemente madura para ser traduzida em obrigações. Se decisões essenciais ainda estiverem abertas, elas precisam ser resolvidas ou explicitamente tratadas no modelo de contratação.

Definição do objeto, escopo e fronteiras

Uma das principais causas de conflito está nas fronteiras do escopo. Expressões como “sistema completo”, “todas as adequações necessárias” ou “serviços correlatos” parecem ampliar a responsabilidade, mas podem gerar interpretações divergentes se não houver detalhamento técnico.

A engenharia deve explicitar o que está incluído, o que não está, quais interfaces dependem de terceiros e quais condições existentes foram consideradas. Em retrofit e brownfield, isso pode envolver desligamentos, desmontagens, remanejamentos, integração com sistemas existentes, infraestrutura civil, elétrica, lógica, licenças, acessos e recomposição.

Requisitos técnicos: especificar desempenho sem restringir competição

O requisito deve expressar a necessidade técnica e permitir verificação. Em vez de reproduzir características incidentais de um modelo de referência, a especificação deve traduzir capacidade, desempenho, interfaces, protocolos, classes, tolerâncias, condições ambientais, segurança, interoperabilidade, durabilidade e demais parâmetros realmente necessários.

Quando um modelo é utilizado como referência, a análise deve separar o que é essencial do que apenas caracteriza aquele produto. Isso melhora a competição sem reduzir o padrão técnico. Consulte também Especificação Técnica em Obras e Serviços de Engenharia.

O fornecedor consegue saber exatamente o que deve entregar — e o fiscal consegue provar se recebeu?

Se a resposta depende de interpretação, o documento ainda não está suficientemente fechado. Conheça a Revisão Técnica de Termo de Referência.

Entregáveis e documentação obrigatória

Em engenharia, parte importante da entrega é documental. O TR deve definir quais registros serão produzidos durante o contrato e quais constituem condição para medição, comissionamento ou recebimento.

  • projetos e documentos de engenharia;
  • memórias de cálculo e dimensionamento;
  • planilhas de quantitativos e listas de materiais;
  • submittals e documentos de fornecedores;
  • planos de inspeção, testes e comissionamento;
  • relatórios de FAT, SAT e testes de desempenho quando aplicáveis;
  • registros fotográficos e evidências de campo;
  • certificados, calibrações e relatórios de ensaio;
  • As-Built e desenhos finais;
  • Data Book, manuais, garantias e treinamento;
  • lista de pendências e documentação de encerramento.

Modelo de execução e sequência de implantação

O TR deve indicar como a contratação será executada no nível necessário para controlar risco e continuidade. Isso pode envolver fases, marcos, liberações, janelas de manutenção, áreas de trabalho, requisitos de acesso, interfaces com a operação, necessidade de mock-up, protótipo, PoC, FAT, SAT ou execução piloto.

Em ambientes críticos ou ocupados, a sequência de implantação pode ser tão importante quanto a especificação do equipamento. Uma solução tecnicamente correta pode ser inviável se exigir indisponibilidade não prevista.

Medição: transformar avanço físico em critério contratual

Critérios de medição vagos criam conflito entre avanço físico, entrega documental e pagamento. O ideal é relacionar cada parcela ou unidade de medição a um resultado verificável, com evidências claramente definidas.

Dependendo do objeto, a medição pode ser vinculada a entregáveis aprovados, quantitativos executados, marcos de engenharia, conclusão de testes, liberação de áreas, emissão de documentação ou aceite de sistemas. O importante é impedir que o contrato reconheça como concluída uma etapa que ainda não produziu as evidências necessárias.

Aceite técnico precisa ser definido antes da contratação

O aceite não deve nascer no final da obra. O TR precisa informar previamente quais testes, resultados, tolerâncias, documentos e condições serão exigidos. Isso permite que proponentes precifiquem corretamente e que fiscalização e contratada trabalhem sobre a mesma referência.

Critérios de aceite podem incluir desempenho, cobertura, capacidade, disponibilidade, segurança, integração, qualidade da instalação, conformidade documental, treinamento, eliminação de pendências críticas e entrega do As-Built. Quando pertinente, o recebimento pode ser apoiado pelo serviço de Recebimento Técnico de Obras e Serviços de Engenharia.

Qualificação técnica e experiência: exigir somente o que o objeto justifica

Requisitos de equipe, experiência, atestados e capacidade técnica precisam guardar relação com as parcelas relevantes e com os riscos do objeto. Exigências excessivas podem restringir competição; exigências insuficientes podem admitir empresas sem capacidade para executar atividades críticas.

A definição deve ser construída a partir da engenharia do objeto e alinhada ao edital. A A3A também presta Apoio Técnico à Habilitação e Qualificação Técnica quando a necessidade está na fase de análise de licitantes.

TR, projeto e orçamento precisam contar a mesma história

Um risco frequente ocorre quando o memorial prevê uma solução, a planilha quantifica outra e o TR estabelece uma terceira lógica de execução ou medição. A revisão técnica deve verificar consistência transversal entre documentos, desenhos, especificações, quantitativos, estimativas, cronograma, matriz de riscos e minuta contratual.

Essa coerência também é necessária para evitar que itens essenciais fiquem sem preço, que serviços sejam duplicados ou que responsabilidades apareçam apenas em um dos anexos.

Metodologia de elaboração

  • Diagnóstico documental: leitura do ETP, projetos, levantamentos, orçamento, riscos e documentos existentes.
  • Mapeamento do objeto: escopo, interfaces, entregáveis, responsabilidades e pontos críticos.
  • Estruturação de requisitos: critérios técnicos e de desempenho verificáveis.
  • Modelo de execução: etapas, marcos, condições de campo, continuidade e integração.
  • Medição e aceite: evidências, testes, documentação e critérios objetivos.
  • Revisão cruzada: consistência entre TR, projetos, orçamento, edital e contrato.
  • Fechamento: matriz de pendências e consolidação da versão pronta para instrução da contratação.

Entregáveis típicos

  • Termo de Referência técnico estruturado;
  • matriz de escopo, interfaces e responsabilidades;
  • matriz de requisitos e critérios de desempenho;
  • relação de entregáveis e documentação obrigatória;
  • modelo de execução e marcos técnicos;
  • critérios de medição e evidências;
  • critérios de inspeção, testes, comissionamento e aceite;
  • requisitos de qualificação técnica tecnicamente justificados;
  • matriz de consistência entre documentos da contratação;
  • registro de pendências e recomendações antes da publicação.

Quando contratar esse serviço

O serviço é indicado quando a contratação possui conteúdo técnico relevante, múltiplos anexos, interfaces entre disciplinas, riscos de continuidade operacional, necessidade de critérios de desempenho ou histórico de dúvidas, aditivos e conflitos de escopo.

Também é útil quando o órgão ou empresa já possui minuta administrativa do TR, mas precisa de engenharia especializada para desenvolver a parte técnica e integrá-la aos projetos, estimativas e critérios de recebimento.

Para compreender os erros mais comuns antes da publicação, consulte Revisão técnica de Termo de Referência e Como escrever um Termo de Referência de obra que não vira aditivo.

Seu Termo de Referência está pronto para ser publicado ou apenas pronto para ser lido?

A A3A pode elaborar, complementar ou revisar tecnicamente o TR e seus anexos antes da contratação. Envie os documentos para uma avaliação inicial.