RAID 5 vs RAID 6 para CFTV: diferenças de proteção, capacidade, desempenho de gravação, rebuild e critérios de seleção.
Confira!
RAID 5 e RAID 6 para CFTV diferem em tolerância a falhas, capacidade útil e reconstrução de dados. RAID 5 suporta uma falha de unidade; RAID 6 suporta até duas. Em videomonitoramento, a escolha deve considerar gravação contínua, consultas ao arquivo, retenção, tamanho do conjunto e tempo necessário para recuperar a redundância. O arranjo precisa continuar recebendo vídeo mesmo quando parte da capacidade estiver comprometida.
A dupla paridade do RAID 6 oferece proteção adicional, mas reduz a capacidade líquida disponível. RAID 5 aproveita maior parcela dos discos, porém uma segunda falha durante o rebuild pode resultar em perda de dados. Nenhum nível RAID substitui backup, failover, monitoramento e procedimentos de manutenção. A decisão correta é definida pelos requisitos do VMS e verificada com ensaios de desempenho, não apenas pelo número de terabytes anunciado.
RAID 5 e RAID 6: diferenças que afetam a operação de CFTV
RAID distribui dados por discos físicos conforme regras de proteção. O RAID 5 utiliza paridade distribuída e permite reconstruir informações após a falha de uma unidade. O RAID 6 utiliza dupla paridade e tolera até duas falhas de discos no conjunto, desde que os demais elementos permaneçam íntegros. Controladora, firmware e sistema de arquivos influenciam como cada arranjo se comporta.
A diferença mais relevante aparece no estado degradado. Quando um disco de RAID 5 falha, a única proteção contra falha de unidade já foi utilizada. O RAID 6, após uma falha, ainda pode suportar outra falha de unidade. Isso não significa proteção contra qualquer incidente: erros de controlador, corrupção de dados, perda de energia, falhas comuns e ações operacionais incorretas continuam sendo riscos.
Segundo a Seagate, a paridade dupla aumenta a capacidade de tolerar falhas, mas as operações de recuperação podem afetar o desempenho. O resultado real depende da plataforma e da carga. Um storage pode permanecer acessível enquanto reconstrói um disco e ainda assim apresentar redução de velocidade relevante para a gravação.
Em CFTV, esse comportamento precisa ser medido porque câmeras continuam enviando vídeo durante a recuperação. Se o servidor não sustentar os streams, a redundância dos discos terá protegido parte dos dados, mas não impedido lacunas de gravação. A engenharia deve definir quais perdas são aceitáveis e como a aplicação de VMS reage a atraso ou indisponibilidade.
Os fundamentos de níveis e paridade constam do conteúdo RAID: níveis, desempenho e critérios de uso. A análise de CFTV concentra-se na recuperação de gravações e na continuidade da ingestão durante incidentes.
O que caracteriza a carga de gravação de vídeo
O VMS recebe streams, grava arquivos, atualiza índices, controla retenção e permite consultas a imagens anteriores. Esse perfil não é exclusivamente sequencial: embora existam fluxos sustentados de escrita, operações de pesquisa, reprodução, exportação e metadados podem concorrer por recursos. A arquitetura do software e a configuração dos volumes determinam a intensidade de cada atividade.
Número de câmeras, codec, resolução, FPS, áudio, bitrate e gravação por eventos alteram o tráfego. Bitrate variável pode produzir picos conforme o movimento nas cenas. O cálculo precisa considerar condições de maior atividade e não apenas média diária. Uma instalação comercial com movimento intenso pode apresentar perfil diferente de câmeras de áreas vazias durante a noite.
Durante incidentes, a carga de leitura pode crescer. Equipes de segurança podem acessar várias gravações ao mesmo tempo em que o VMS continua recebendo vídeo e exportando evidências. Um array dimensionado somente para escrita normal pode não comportar essa concorrência, especialmente se estiver em reconstrução.
Alguns sistemas distinguem recording database e archive database, com requisitos diferentes de latência, retenção e desempenho. O sistema operacional e os serviços de configuração podem ocupar volumes separados. A escolha de RAID de cada camada deve seguir recomendações da plataforma, evitando atribuir uma única configuração indiscriminadamente a todas as funções.
O fabricante do VMS e do appliance pode estabelecer controladoras, discos e políticas de armazenamento homologados. Uma solução genérica que parece tecnicamente possível pode não ser suportada. A engenharia deve verificar compatibilidade, comportamento degradado e condições de assistência antes de concluir a especificação.
Tolerância a falhas, rebuild e duração do risco
Rebuild é o processo de restaurar proteção após substituição ou recuperação de um disco. Em arranjos com paridade, a controladora utiliza os dados remanescentes para reconstruir informações. A operação pode exigir leitura de grande quantidade de dados enquanto o VMS continua gravando, consumindo recursos de disco e processamento.
Não existe duração universal de rebuild. Capacidade das unidades, quantidade de discos, velocidade de interface, controladora, ocupação, erros de mídia e prioridade da reconstrução alteram o tempo. Prometer recuperação em poucas horas sem validação técnica é inadequado, especialmente para conjuntos extensos e com alta utilização.
O RAID 5 fica sem margem para segunda falha de unidade no período degradado, enquanto RAID 6 conserva proteção adicional. A análise deve considerar tanto a probabilidade quanto a consequência de falha durante o processo, inclusive riscos de fatores comuns entre discos instalados no mesmo ambiente.
A documentação de conceitos de RAID da Seagate diferencia estado degradado, rebuild e verificação de consistência. Os controles de saúde precisam abranger discos, controladora, temperatura, energia e comunicações. A operação também deve saber qual disco falhou antes de realizar a troca.
O incidente não se encerra apenas com a instalação da peça. É necessário verificar que o rebuild terminou, que os alarmes se normalizaram e que as gravações permaneceram de acordo com os requisitos. O registro dos tempos e das condições ajuda a melhorar planos de manutenção e revisar o nível de proteção necessário.
Capacidade útil: quanto espaço se perde com cada RAID
Para um conjunto de N discos de mesma capacidade, a capacidade teórica do RAID 5 equivale aproximadamente à capacidade de N menos um disco; no RAID 6, N menos dois. As expressões precisam ser ajustadas a unidades de tamanhos diferentes e às regras do fabricante. A capacidade apresentada ao VMS pode ser menor depois de formatação, reservas, metadados e limites operacionais.
Em exemplo hipotético com oito discos de 12 TB nominais, o total bruto é 96 TB. RAID 5 teria 84 TB teóricos e RAID 6, 72 TB. RAID 10 com discos iguais e espelhamento convencional resultaria em cerca de 48 TB. Valores são decimais e não equivalem automaticamente ao espaço de sistema mostrado em unidades binárias.
| Configuração | Capacidade teórica com 8 × 12 TB | Falhas toleradas |
| Sem RAID | 96 TB | Nenhuma |
| RAID 5 | 84 TB | Uma unidade |
| RAID 6 | 72 TB | Duas unidades |
| RAID 10 | 48 TB | Depende dos pares |
Um hot spare dedicado, limites de ocupação e áreas reservadas para operação podem reduzir o espaço líquido. A controladora pode impor regras próprias sobre tamanho dos grupos e reservas. Por isso, o memorial deve diferenciar capacidade bruta, capacidade após RAID, espaço utilizável e capacidade destinada às gravações.
A redução de capacidade não significa necessariamente desperdício. Parte dos discos é utilizada para proteger os dados. É preciso comparar o custo adicional ao risco que será mitigado. Em ambientes de alta criticidade, a tolerância adicional pode justificar a diferença; em outros cenários, uma arquitetura alternativa pode oferecer melhor relação entre custo e necessidade.
O erro mais comum é prometer retenção com base no total bruto anunciado. O período de guarda precisa ser calculado sobre capacidade realmente disponível e condições de operação documentadas.
Bitrate, retenção e dimensionamento das gravações
A memória de cálculo deve informar o número de câmeras, os fluxos de dados, a modalidade de gravação e os dias de retenção. Resolução e codec não bastam para estimar espaço sem bitrate real ou hipótese representativa. Configurações VBR e gravação por eventos exigem considerar distribuição de tráfego e duração dos eventos, inclusive períodos de pré e pós-gravação.
O RAID precisa ser dimensionado a partir do bitrate, do período de retenção e da continuidade exigida pelo VMS. Capacidade bruta isolada não comprova que o sistema preserva gravações durante reconstrução.
Considere um exemplo didático: 200 câmeras gravando continuamente a 4 Mbit/s equivalem a 800 Mbit/s, cerca de 100 MB/s antes de overheads. Mantida a taxa constante, são aproximadamente 8,64 TB decimais por dia e 259,2 TB em 30 dias. Os números servem para ilustrar a ordem de grandeza, não representam uma estimativa universal de sistemas reais.
Os metadados, os índices, as configurações da plataforma e eventuais fluxos adicionais precisam entrar na conta. Também podem existir reservas para gravação de incidentes e exportação de evidências. A política de retenção deve respeitar obrigações contratuais e proteção de dados, distinguindo gravações regulares de arquivos preservados por investigação.
O storage precisa suportar a escrita sustentada e também leituras simultâneas quando operadores consultam o histórico. Em condições de falha de disco, a capacidade de ingestão pode diminuir. O dimensionamento deve prever esse cenário se a continuidade for requisito de serviço.
O artigo Como Dimensionar Storage para CFTV e VMS Corporativo detalha a arquitetura e a capacidade de armazenamento. Na comparação RAID 5 versus RAID 6, a diferença de capacidade protegida só faz sentido depois de calcular o espaço líquido necessário para a retenção.
Escrita sustentada, leitura concorrente e reconstrução
A paridade pode introduzir operações adicionais de leitura e escrita, especialmente em determinadas cargas e tamanhos de blocos. A penalidade depende do hardware, do cache, do software e da configuração do VMS. Não existe base técnica para declarar que RAID 6 é sempre inadequado ou que RAID 5 sempre oferece desempenho superior em qualquer equipamento.
Um ensaio precisa verificar throughput sustentado, filas e tempo de resposta em condições representativas. Um pico de transferência mostrado em catálogo não demonstra que a plataforma gravará continuamente milhares de arquivos por dias. O comportamento de escrita, indexação e retenção deve ser acompanhado com as câmeras ou geradores de carga previstos.
Durante rebuild, a controladora pode dedicar recursos à recuperação e competir com a ingestão de vídeo. Ajustar a prioridade reduz ou aumenta o tempo em estado degradado e pode influenciar a gravação. A política deve ser definida com base no risco e no desempenho observado, não por preferência arbitrária.
Consultas forenses podem acrescentar carga relevante. O teste precisa prever reprodução e exportações simultâneas à gravação, porque são funções típicas de centrais de operações. A validação deve verificar se ocorrem lacunas, erros ou degradação incompatível com o nível de serviço.
Também é importante avaliar a ocupação. Um volume recém-formatado não representa necessariamente um sistema próximo do limite operacional. Resultados de teste precisam registrar estado de ocupação e condições de carga, permitindo comparações posteriores. Um array aparentemente adequado em laboratório pode mostrar limites em produção se esses fatores forem desconsiderados.
RAID 5, RAID 6 ou RAID 10: critérios funcionais
RAID 10 combina espelhamento de pares com distribuição de dados. Pode oferecer desempenho interessante em determinados perfis de E/S, mas utiliza aproximadamente metade da capacidade dos discos em configurações usuais. Sua tolerância a múltiplas falhas depende dos pares afetados: duas falhas no mesmo par podem causar perda, enquanto falhas em pares distintos podem ser suportadas.
RAID 5 oferece melhor aproveitamento de capacidade que RAID 6, mas tolera apenas uma falha de unidade. RAID 6 amplia essa tolerância, consumindo capacidade para segunda paridade. A escolha depende do equilíbrio entre risco de perda, tempo de exposição degradado, desempenho e custo.
| Comparação | RAID 5 | RAID 6 | RAID 10 |
| Proteção básica | Paridade simples | Dupla paridade | Espelhos |
| Tolerância | Uma unidade | Duas unidades | Conforme os pares |
| Capacidade | N menos 1 | N menos 2 | Aproximadamente metade |
| Recuperação | Por paridade | Por dupla paridade | Pela cópia espelhada |
| Avaliação típica | Capacidade com risco controlado | Maior proteção do conjunto | Características de E/S específicas |
A matriz é conceitual e precisa ser confirmada com a controladora escolhida. O fabricante pode limitar o número de discos, a capacidade e as opções de expansão. Hot spare e múltiplos grupos também alteram desempenho, recuperação e custos.
É comum utilizar volumes diferentes para sistema operacional, banco de configuração, gravação ativa e arquivo. Esses serviços possuem requisitos distintos; uma configuração única nem sempre é a melhor. O projeto deve documentar a função de cada volume e suas dependências.
O critério final precisa ser o comportamento do sistema de videomonitoramento durante os cenários acordados. Uma plataforma que preserva dados, mas deixa de gravar câmeras críticas quando falha um disco, pode não atender ao objetivo operacional.
Escolha de discos e controladora para CFTV 24×7
Discos de mesma capacidade podem possuir características diferentes. Perfil de workload suportado, firmware, confiabilidade informada, limites térmicos, vibração, consumo e compatibilidade devem ser considerados. A homologação pelo fabricante do appliance ou da controladora é importante para evitar comportamento inesperado e limitações de suporte.
Diferentes tecnologias de gravação e políticas de firmware podem influenciar escrita sustentada e rebuild. É inadequado substituir unidades apenas porque anunciam a mesma capacidade nominal sem verificar a compatibilidade com a configuração e o nível de RAID adotados. A alteração pode repercutir no desempenho e no processo de recuperação.
Ventilação e alimentação do chassis precisam ser avaliadas como componentes do sistema. Temperatura elevada pode afetar várias unidades de uma só vez, introduzindo risco comum que a paridade não elimina. Fontes redundantes e controladoras devem ser testadas quanto ao comportamento em falha.
O procedimento de manutenção precisa identificar com segurança o slot de cada disco e seu estado. O técnico deve confirmar o número de série e o alerta antes da remoção. Retirar a unidade errada durante um rebuild pode transformar um incidente recuperável em perda de dados.
A estratégia de peças sobressalentes também altera o tempo de exposição. Hot spare pode permitir reconstrução mais rápida após a falha conforme recursos do equipamento, mas consome capacidade física e investimento. O projeto deve avaliar disponibilidade de suporte, prazos de reposição e forma de escalonamento dos alertas.
A disponibilidade da gravação não depende apenas do RAID
Um conjunto de discos íntegro não garante que as câmeras estão gravando. O VMS depende de redes, serviços de gravação, autenticação, alimentação, controladoras e licenças. Uma falha de servidor ou conectividade pode interromper o fluxo sem qualquer problema de armazenamento.
A disponibilidade das imagens depende também da rede, do servidor e da automação da segurança. Projetos integrados precisam definir funções críticas e resposta às falhas para além do conjunto de discos.
A engenharia deve definir comportamento após perda do recording server, do volume de gravação ou do enlace de rede. Recursos como failover, gravação local em câmera, replicação ou redirecionamento de streams variam por fabricante e contrato. Devem ser verificados e ensaiados, nunca presumidos.
A continuidade também exige priorização. Câmeras associadas a áreas críticas podem necessitar retenção e recuperação distintas daquelas de áreas secundárias. A matriz de riscos deve registrar quais fluxos são essenciais e quais degradações podem ser aceitas temporariamente.
Permissões, sincronização de horário e integridade de exportação precisam fazer parte do projeto. Uma gravação reconstruída não comprova automaticamente a autenticidade de uma evidência. São necessários procedimentos para identificar origem, momento, autorização e preservação de arquivos relevantes.
O Projeto de CFTV IP e Videomonitoramento coordena essas interfaces. O RAID é um componente da arquitetura de gravação e deve ser avaliado junto a rede, câmeras, VMS, alimentação e operação.
RAID não é backup: proteção contra perda de informações
Redundância de discos não substitui cópias de segurança. RAID 5 e RAID 6 não evitam exclusão acidental, corrupção lógica, ataques, incêndio, perda total do servidor ou falha compartilhada. A classificação de dados precisa indicar o que será preservado, por quanto tempo e com qual objetivo de recuperação.
Em grandes sistemas de CFTV, copiar integralmente todos os vídeos pode envolver custos expressivos. O processo deve distinguir configurações, bancos de dados, imagens críticas, evidências exportadas e outros registros que justificam medidas de proteção específicas. A política deve seguir obrigações aplicáveis e a criticidade operacional.
Backup também não equivale a recuperação de desastres. É preciso definir como os dados e serviços serão restaurados, quem autoriza o procedimento, qual o prazo esperado e como se verifica integridade. Ensaios de restauração são necessários para comprovar que uma cópia pode ser utilizada.
A preservação de evidências exige controles adicionais de acesso, retenção, trilha de auditoria e autorização. O RAID pode garantir tolerância a falha de disco, mas não assegura que uma imagem exportada é íntegra ou que seu uso obedece à finalidade permitida.
A contratação deve distinguir claramente RAID, backup, failover e retenção. Quando os termos são tratados como sinônimos, a entrega pode ser inferior à expectativa do proprietário sem que isso apareça na especificação técnica.
Procedimento diante da falha de uma unidade
Ao receber um alerta, a operação deve confirmar o volume afetado, identificar o slot e verificar a integridade dos outros discos antes de intervir. Retirar uma unidade saudável por engano pode ampliar o incidente. O procedimento precisa indicar responsáveis, autorização e condições de segurança.
Durante rebuild, deve-se monitorar gravação, consultas, erros, temperatura e alarmes. A decisão de reduzir exportações ou outras atividades depende dos requisitos do VMS. A prioridade não pode ser acelerar a reconstrução ao custo de interromper fluxos críticos que deveriam permanecer disponíveis.
O registro precisa abranger início do incidente, unidade substituída, progresso, tempo de recuperação, eventuais perdas e retorno à condição protegida. Se ocorrer nova falha, a equipe deve seguir a contingência autorizada e o suporte do fabricante, evitando improvisação em um conjunto já degradado.
Ocorrências recorrentes demandam análise de causa. Energia, ventilação, firmware, componentes comuns e procedimentos devem ser considerados. A simples troca de discos sem investigar o padrão pode deixar o mesmo risco ativo.
O incidente só pode ser encerrado após verificar integridade, estado dos alarmes e continuidade das gravações relevantes. A reconstrução concluída é uma evidência necessária, mas não substitui a validação do serviço prestado.
Matriz de especificação e contratação
Antes da compra, o contratante deve definir o nível de proteção necessário, o volume líquido de retenção e o comportamento exigido durante falhas. A especificação deve indicar carga, controladora, discos homologados, reservas, alarmes, manutenção, documentação e suporte. Uma frase como “storage com RAID 6” não descreve o desempenho a ser entregue.
| Questão | Evidência a solicitar | Decisão |
| Quantos discos podem falhar? | Matriz de risco | Nível RAID |
| Qual taxa de gravação? | Dimensionamento de bitrates | Throughput |
| Qual espaço líquido? | Cálculo de retenção | Número de discos |
| Qual tempo de rebuild? | Ensaio ou referência válida | Exposição ao risco |
| Há failover? | Arquitetura e testes do VMS | Continuidade |
| Como preservar evidências? | Políticas e controle | Backup e segurança |
A comparação econômica precisa utilizar condições iguais. Uma proposta com discos adicionais e dupla paridade não é diretamente comparável a outra que usa toda a capacidade e oferece menor tolerância. O custo de manutenção, o tempo de atendimento e as consequências de interrupção precisam ser considerados.
O memorial deve apresentar capacidade bruta, capacidade protegida, espaço líquido, reservas e expansão. A operação precisa receber mapa de slots, configuração de volumes, políticas de firmware e processo de recuperação. Sem essa documentação, o suporte pode depender de pessoas específicas.
A decisão mais eficiente combina desempenho e risco em uma mesma matriz. A capacidade adicional do RAID 5 pode ser útil, mas só é justificável quando a exposição à falha é compatível com as necessidades do serviço e com as salvaguardas existentes.
Testes de aceitação do storage para videomonitoramento
O aceite precisa simular quantidade e perfil de câmeras previstos, com gravação, reprodução e exportação simultâneas. Uma demonstração com poucos fluxos não comprova o atendimento de um sistema corporativo. É necessário registrar carga, ocupação, configuração do VMS e condições de medição.
O plano de aceitação deve declarar indicadores e limites antes do ensaio: volume de dados recebido por segundo, número de streams ativos, disponibilidade de imagens antigas, tempo para concluir exportações e condições de recuperação. Quando o equipamento disponibiliza métricas de fila, utilização dos discos, temperatura e cache, essas informações devem ser registradas ao lado dos resultados funcionais. Os indicadores precisam ser avaliados com a retenção próxima da ocupação prevista, sempre que a metodologia do fabricante permitir. Isso evita aprovar uma solução apenas em condição inicial de volume vazio. A equipe deve distinguir problemas de rede, gravação e armazenamento para que uma falha de pacote ou configuração de VMS não seja atribuída indevidamente ao RAID. Todos os ensaios devem ter identificação do cenário, data, responsável, instrumentos, configuração e resultado esperado.
Também é necessário verificar o comportamento do sistema diante de alertas sucessivos. Uma falha de disco deve gerar registro inequívoco, identificar o volume degradado e acionar o procedimento operacional sem depender de observação casual da interface. O retorno do disco ou sua substituição precisa produzir atualização consistente do estado e histórico. Quando houver múltiplos storages, o relatório deve mostrar quais câmeras e quais faixas de gravação foram afetadas. A fiscalização pode selecionar amostras de imagens anteriores, contemporâneas e posteriores ao teste para confirmar pesquisa e reprodução. Esses critérios dão ao proprietário uma evidência de que a redundância contratada corresponde à continuidade real do serviço de vídeo.
Por fim, o aceite deve contemplar transferência de conhecimento. Os operadores precisam reconhecer mensagens de degradação, saber quando suspender exportações não críticas, localizar a identificação do slot, solicitar peças e escalar incidentes. A equipe de manutenção deve ter acesso controlado aos procedimentos, à versão da controladora, à matriz de configuração e aos contatos de suporte. O cronograma de inspeções deve prever verificação periódica de alertas e consistência, de modo proporcional às recomendações do fabricante. Sem essa rotina, a proteção declarada na entrega pode se deteriorar silenciosamente até a próxima falha. O aceite documentado conecta engenharia, tecnologia e operação e mantém rastreável a responsabilidade por cada ação.
Alarmes de disco, controladora, temperatura e estado do conjunto devem ser testados. Quando autorizado e seguro, são possíveis ensaios controlados de falha e reconstrução, observando a ingestão de vídeo e a consulta ao histórico. O método deve preservar dados existentes e determinar critérios de interrupção.
O relatório deve registrar throughput, latência quando pertinente, filas, alertas, duração de rebuild e lacunas de gravação observadas. A expressão “RAID funcionando” é insuficiente para demonstrar que a instalação atende à disponibilidade contratada.
A entrega inclui configuração de volumes, inventário das unidades, mapas de slots, procedimentos de operação e manutenção. O responsável pelo CFTV precisa saber como identificar uma falha, escalonar suporte e verificar o retorno à condição normal.
O Comissionamento de Equipamentos organiza ensaios funcionais e desempenho. A aceitação deve demonstrar que o conjunto opera adequadamente tanto em condição normal quanto nos cenários degradados acordados.
Considerações finais
RAID 5 e RAID 6 oferecem trocas distintas entre capacidade utilizável e tolerância a falhas de discos. No CFTV, a escolha depende de gravação contínua, leitura concorrente, retenção, duração do rebuild e consequência de indisponibilidade. RAID 6 pode justificar o custo de dupla paridade quando a proteção contra uma segunda falha é prioritária, sem dispensar dimensionamento e testes.
A disponibilidade das imagens exige mais do que um nível RAID. Discos, controladora, VMS, rede, energia, backup, alarmes e manutenção formam o sistema real. O melhor arranjo é aquele cujas premissas são documentadas, cujo risco residual é conhecido e cujo desempenho pode ser demonstrado com carga representativa.
O desempenho de storage deve ser demonstrado em condições de operação normal e degradada. Ensaios com carga representativa e registro de alarmes, filas e reconstrução fundamentam a aceitação técnica.
Referências técnicas
[1] SEAGATE. RAID Manager User Manual — RAID Levels. Disponível em: https://www.seagate.com/manuals/software/raid-manager/raid-levels/.
[2] SEAGATE. RAID Manager User Manual — RAID Concepts and Terminology. Disponível em: https://www.seagate.com/manuals/software/raid-manager/raid-concepts/.
[3] SEAGATE. RAID Modes — Business Storage NAS OS. Disponível em: https://www.seagate.com/br/pt/manuals/network-storage/business-storage-nas-os/raid-modes/.
Perguntas frequentes
Depende da capacidade, do desempenho exigido e do risco aceito; RAID 6 tolera até duas falhas de discos e RAID 5 uma.
Uma unidade; outra falha antes do término do rebuild pode causar perda de dados.
Até duas unidades, observadas as condições de integridade do conjunto.
Cerca de 72 TB teóricos antes das reservas e da formatação.
O comportamento depende de controladora, cache, workload e configuração, devendo ser testado.
Não. Não protege contra exclusão, corrupção, ataques ou perda de todo o equipamento.
É a reconstrução da redundância após falha e substituição ou recuperação de disco.
É uma unidade de reserva que pode ser utilizada na reconstrução conforme a configuração do equipamento.
Pode ser avaliado para cargas específicas, considerando desempenho, tolerância e menor capacidade útil.
Com bitrate, quantidade de câmeras, duração, modalidade de gravação e capacidade líquida.
Ingestão, consultas, exportações, alarmes, reconstrução e desempenho degradado com carga representativa.
Não. A continuidade depende também de VMS, servidor, rede, energia e arquitetura.
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