ONVIF apresentou em 9 de julho de 2026 o Profile V Release Candidate, proposta para integrar câmeras IP e VMS em nuvem com interoperabilidade e segurança.

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A ONVIF apresentou, em 9 de julho de 2026, a versão candidata (Release Candidate) do Profile V, proposta de especificação para interoperabilidade entre dispositivos de videomonitoramento e plataformas de gerenciamento de vídeo em nuvem. A iniciativa pretende estabelecer interfaces padronizadas para conectar equipamentos e serviços de diferentes fabricantes, reduzindo a dependência de ecossistemas proprietários.

O anúncio foi divulgado em comunicado oficial da ONVIF. Voltado a arquiteturas de Video Surveillance as a Service (VSaaS), o Profile V busca estender às soluções em nuvem o princípio de interoperabilidade que orienta os perfis da entidade para sistemas de segurança física baseados em IP.

Interoperabilidade em nuvem e dependência de fornecedores

No videomonitoramento tradicional, interfaces padronizadas ajudam a integrar câmeras, codificadores e softwares de gerenciamento de vídeo (VMS) de fabricantes diferentes. Em soluções hospedadas em nuvem, entretanto, conexões entre dispositivos, plataforma, gravações e serviços associados frequentemente dependem de interfaces proprietárias.

Essa dependência pode dificultar substituições de equipamentos ou provedores e ampliar os custos de migração ao longo do ciclo de vida do sistema. A proposta do Profile V é permitir que dispositivos e clientes conformes a um mesmo perfil se comuniquem por interfaces comuns, preservando maior flexibilidade para ampliar ou modificar a arquitetura. A efetividade dessa interoperabilidade dependerá da versão final da especificação e da conformidade efetivamente demonstrada pelos produtos.

Como deve funcionar uma arquitetura baseada no Profile V

Conforme a documentação técnica da ONVIF, o modelo prevê que a câmera IP, o codificador ou uma aplicação de transmissão estabeleça uma conexão segura de saída para um cliente compatível hospedado em nuvem. O mecanismo utiliza um canal Uplink sobre WebSocket Secure (WSS), permitindo alcançar dispositivos situados atrás de um firewall local geralmente sem redirecionamento de portas de entrada ou configuração de VPN. Essa possibilidade não dispensa a análise das políticas e restrições da rede.

Depois de estabelecida a conexão, o cliente pode configurar o dispositivo e utilizar as funções padronizadas. Entre os mecanismos descritos pela ONVIF estão:

  • Vídeo ao vivo: transmissão de vídeo codificado em H.264 por WebRTC, com baixa latência e acesso por clientes compatíveis.
  • Áudio: transmissão e comunicação bidirecional quando o equipamento dispõe dos recursos necessários.
  • Gravação em nuvem: envio de vídeo e áudio, quando aplicável, previamente criptografados para armazenamento em serviços como Amazon S3 ou Azure Blob Storage.
  • Eventos: encaminhamento de notificações para plataformas e clientes, permitindo o tratamento de ocorrências pela aplicação.

O Profile V foi concebido tanto para sistemas predominantemente em nuvem quanto para arquiteturas híbridas, nas quais serviços remotos coexistem com infraestrutura local e outros perfis ONVIF.

Requisitos de segurança previstos na proposta

A ONVIF definiu o Profile V Security Add-on como complemento obrigatório para produtos que venham a declarar conformidade com o Profile V. O documento contempla autenticação e autorização de dispositivos, clientes e serviços em nuvem, com utilização do framework OAuth 2.0, autenticação mútua TLS (mTLS), tokens de acesso e mecanismos de criptografia para o envio das gravações.

A separação desses requisitos em um add-on permite sua atualização conforme a evolução da segurança cibernética, sem exigir a reescrita integral do perfil. Isso, porém, não equivale a uma garantia automática de segurança da solução completa: gestão de identidades, segmentação de redes, proteção de credenciais, disponibilidade do serviço, políticas de retenção e configuração dos sistemas continuam exigindo projeto e operação adequados.

Implicações para projetos de CFTV IP e contratação de VSaaS

Para projetistas, consultores e integradores, a proposta abre a perspectiva de estabelecer requisitos mais objetivos de interoperabilidade entre dispositivos de campo e plataformas de nuvem. A possibilidade de substituir componentes sem reconstruir integrações proprietárias pode ser relevante em instalações corporativas, industriais, logísticas e distribuídas geograficamente.

Na especificação e na avaliação de soluções, entretanto, permanecem indispensáveis critérios que não são resolvidos apenas pela padronização das interfaces: dimensionamento do tráfego de saída e dos enlaces de internet, latência, continuidade de gravação durante falhas de conectividade, capacidade e retenção do armazenamento, exportação de evidências, níveis de serviço, custos recorrentes e responsabilidades pelo tratamento de dados.

A homologação técnica também deve considerar o suporte real às funcionalidades previstas, as versões de firmware e software e os procedimentos de recuperação e migração. A compatibilidade genérica com ONVIF ou com outros perfis não comprova, por si só, conformidade com o Profile V.

Especificação ainda está em avaliação

Na data do anúncio, 9 de julho de 2026, a ONVIF disponibilizou a versão candidata do Profile V para revisão e testes por suas empresas associadas. A entidade informou que esperava concluir a especificação até o fim de 2026, após a análise das implementações e das contribuições recebidas.

O estágio de Release Candidate deve ser distinguido de uma especificação final. Conforme esclarece a FAQ oficial do Profile V, produtos somente podem ser reconhecidos como conformes ao perfil depois da finalização da especificação e da realização dos testes aplicáveis. Alegações comerciais de suporte antecipado não substituem a verificação na base oficial de produtos conformes da ONVIF.

Leitura técnica da A3A Engenharia

A evolução dos perfis ONVIF para ambientes VSaaS evidencia a necessidade de tratar a interoperabilidade como requisito de arquitetura e de contratação, e não apenas como atributo informado no catálogo do fabricante. Em projetos de videomonitoramento, a seleção da plataforma deve estar vinculada a uma linha de base que inclua funções exigidas, interfaces, desempenho, resiliência, governança das gravações e critérios verificáveis de aceitação.

Na avaliação de arquiteturas em nuvem ou híbridas, a A3A Engenharia recomenda distinguir a interoperabilidade prevista em especificação da interoperabilidade comprovada em ensaios de integração. Essa distinção é essencial para preservar alternativas tecnológicas sem comprometer a continuidade operacional e a segurança das informações.

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Fontes oficiais