Entenda o que mudou no DORI com a IEC 62676-4:2025, os sete níveis de desempenho visual, densidade de pixels e critérios de projeto e aceite.
Confira!
DORI continua sendo uma sigla conhecida em projetos de CFTV, mas não descreve integralmente os critérios da edição atual da norma. A IEC 62676-4:2025, publicada em 9 de outubro de 2025, substituiu a versão de 2014 e reformulou o modelo de densidade de pixels. No lugar da classificação tradicional Detecção, Observação, Reconhecimento e Identificação, o documento passou a distinguir sete requisitos operacionais de desempenho visual: visão geral (Overview), contorno (Outline), discernir (Discern), perceber (Perceive), caracterizar (Characterize), validar (Validate) e examinar minuciosamente (Scrutinize).
A mudança é especialmente importante para quem prepara memoriais, especificações de câmeras e critérios de aceite. Um projeto que ainda informa “DORI identificação — 250 px/m” pode estar utilizando a referência histórica de 2014; na edição de 2025, 250 px/m está associado ao nível Characterize, enquanto Validate utiliza 500 px/m e Scrutinize, 1.500 px/m. Não é tecnicamente correto tratar essas categorias como traduções diretas das quatro anteriores. A especificação deve indicar qual edição normativa adota, que resultado visual espera e em quais condições a imagem será avaliada.
O que significa DORI e por que a classificação mudou?
A expressão DORI ficou popular porque transforma a finalidade de uma câmera em quatro perguntas operacionais: perceber que algo está presente, observar características gerais, reconhecer alguém previamente conhecido ou obter detalhes para identificação. Fabricantes passaram a publicar distâncias DORI nas fichas de produtos, e projetistas utilizaram essas distâncias para estimar a quantidade e a posição de câmeras. Essa convenção simplificou a comunicação entre fornecedor, projetista e contratante.
O modelo se apoiava em densidades aproximadas de 25, 63, 125 e 250 pixels por metro para Detecção, Observação, Reconhecimento e Identificação. Esses valores ainda aparecem em catálogos, aplicações legadas e projetos redigidos sob a IEC 62676-4:2014. A utilidade histórica permanece: quando alguém menciona DORI, é possível interpretar a referência técnica que estava sendo empregada. Isso não autoriza afirmar que a mesma tabela representa os requisitos atualizados da IEC.
A IEC 62676-4:2025 é a segunda edição da norma de diretrizes de aplicação de sistemas de videomonitoramento. O registro oficial da IEC informa que ela cobre planejamento, projeto, instalação, ensaios, comissionamento e manutenção. Entre as alterações, a norma introduziu nova estrutura de requisitos operacionais, revisou a classificação de densidades e abordou condições de segurança e operação. O objetivo não foi apenas ampliar a quantidade de níveis, mas associar o desempenho requerido a resultados de observação mais diferenciados.
O próprio modelo de pixels é uma abstração. O cumprimento de uma densidade não garante, por si só, reconhecimento facial, leitura de placas ou desempenho de software analítico. Iluminação, foco, exposição, ângulo, compressão, velocidade do objeto e qualidade da reprodução podem impedir o uso da imagem mesmo quando o cálculo geométrico parece correto. Por isso a atualização precisa ser entendida junto à metodologia de projeto e aos testes de campo.
Ao revisar documentos antigos, a primeira ação deve ser identificar a edição citada e a finalidade original de cada câmera. O termo DORI pode continuar no histórico documental, mas a especificação nova não deve misturar automaticamente a tabela de 2014 com os níveis de 2025.
Comparação entre a referência tradicional e a IEC 62676-4:2025
A tabela histórica DORI é organizada em quatro resultados. Ela utiliza densidade de imagem como parâmetro de apoio, com referências frequentemente publicadas por fabricantes de 25 px/m para detectar, 63 px/m para observar, 125 px/m para reconhecer e 250 px/m para identificar. Esses valores dependem da edição e das convenções de cálculo utilizadas, e aparecem em fichas técnicas de diversos equipamentos.
| Modelo DORI da IEC 62676-4:2014 | Referência histórica aproximada |
| Detection — Detecção | 25 px/m |
| Observation — Observação | 63 px/m |
| Recognition — Reconhecimento | 125 px/m |
| Identification — Identificação | 250 px/m |
A classificação apresentada pela IEC 62676-4:2025, conforme a interpretação técnica publicada pela Axis Communications, trabalha com sete requisitos de observação visual humana. A categoria Low Pixel Density Object (LPDO) agrupa visão geral, contorno e discernir; a High Pixel Density Object (HPDO) agrupa perceber, caracterizar, validar e examinar minuciosamente. Os números são guias de planejamento que precisam ser confirmados nas condições reais de uso.
| Categoria de desempenho de 2025 | Densidade de referência |
| Overview — Visão geral | 20 px/m |
| Outline — Contorno | 40 px/m |
| Discern — Discernir | 80 px/m |
| Perceive — Perceber | 125 px/m |
| Characterize — Caracterizar | 250 px/m |
| Validate — Validar | 500 px/m |
| Scrutinize — Examinar minuciosamente | 1.500 px/m |
Não há correspondência semântica biunívoca entre as duas tabelas. O valor antigo de 250 px/m, associado ao termo Identification, não significa que o nível atual Characterize tenha o mesmo objetivo de comprovar identidade. Do mesmo modo, a presença de 125 px/m em modelos diferentes não torna idêntica a descrição funcional dos níveis. O projeto deve adotar a definição operacional e as condições do documento aplicável, sem trocar o rótulo mantendo automaticamente a conclusão.
Os valores referem-se a um modelo de densidade sobre a cena, não a uma promessa comercial de distância. A imagem efetivamente armazenada pode ter resolução, enquadramento e compressão diferentes da visualização ao vivo. A decisão deve considerar o fluxo utilizado para o objetivo: gravação, monitoramento em tela, exportação ou análise técnica posterior.
O que cada um dos sete requisitos significa na prática?
Overview tem finalidade de perceber a situação geral e determinar se um objeto está em movimento. É útil para manter consciência situacional de áreas extensas, sem exigir interpretação de detalhes finos de uma pessoa. Um enquadramento panorâmico de pátio pode cumprir esse objetivo mesmo sem oferecer informação suficiente para distinguir vestimentas.
Outline permite delinear um objeto e avaliar seu sentido de deslocamento. Em perímetros e corredores longos, o operador pode perceber o contorno e a direção aproximada de uma pessoa ou veículo, ainda que atributos individuais não estejam visíveis. Discern acrescenta capacidade de diferenciar objetos e movimentos e estabelecer categorias gerais, como pessoa, veículo ou animal. O projeto deve dizer qual dessas decisões a operação precisa tomar.
Perceive implica um nível maior de percepção de movimento e presença, mas não deve ser confundido com caracterização individual. Characterize procura reconhecer características da pessoa, como tipo, porte, modo de andar e comportamento, ou caracterizar categoria de veículo. É uma função de descrição, não uma garantia de identidade civil ou biométrica.
Validate é associado à verificação de pessoas conhecidas e de ações, além de detalhes relevantes de veículos. Scrutinize envolve análise visual mais minuciosa para estabelecer identidade com grau elevado de confiança e examinar características específicas. Essas descrições precisam ser ajustadas ao uso real e à condição da cena. A leitura de placas, por exemplo, pode depender de ângulo, velocidade, reflexos, obturador e sistema especializado.
Em uma instalação de varejo, os requisitos variam: visão geral para circulação e ocupação; caracterização para descrição de eventos em acesso; validação para situações de maior exigência. Em controle patrimonial, o perímetro pode priorizar discernir o tipo de intrusão; o acesso de veículos pode demandar enquadramento específico para placas e ocupantes. Um único critério em todas as câmeras raramente corresponde ao risco operacional.
A definição deve nascer de cenário, objetivo e resposta esperada do operador. Somente depois é adequado transformar esse requisito em campo de visão, quantidade de câmeras, lente, iluminação, gravação e critérios de aceitação.
Como calcular a densidade de pixels sem confundir resolução com desempenho
A aproximação geométrica mais simples utiliza a resolução horizontal útil da imagem dividida pela largura física da cena na posição do alvo. Uma imagem com 1.920 pixels horizontais distribuídos sobre 12 metros fornece aproximadamente 160 px/m nessa região, se a distribuição e a geometria forem próximas da hipótese utilizada. Isso não significa automaticamente atender Perceive ou qualquer outro requisito de 2025, pois existem outros fatores que afetam a imagem.
Se a largura coberta cresce para 24 metros mantendo os 1.920 pixels, a densidade cai para cerca de 80 px/m. A comparação mostra por que um sensor de resolução maior nem sempre substitui o ajuste do campo de visão e por que cenas muito abertas podem perder detalhe em pontos distantes. Também demonstra que o cálculo deve ser realizado na zona crítica, e não somente junto à câmera.
A fórmula simplificada é: densidade aproximada em px/m = pixels horizontais úteis da imagem ÷ largura da cena em metros na distância de interesse. Essa conta é útil para estudos preliminares; o modelo de projeção da lente, a distorção, o recorte do sensor, o formato de imagem e a distribuição espacial podem exigir ferramentas de projeto específicas. Em lentes grande-angulares, o centro e as bordas não apresentam necessariamente a mesma densidade efetiva.
Também é necessário separar resolução de captura, resolução do stream principal, substream exibido ao operador e resolução exportada. Um projeto pode dimensionar o sensor em 4 MP, porém gravar com resolução reduzida para economizar rede e storage. Nesse caso, a imagem registrada não preserva o detalhe considerado no projeto. A configuração real deve ser documentada e testada com o VMS.
O cálculo detalhado de campo de visão e px/m já é tratado no artigo Densidade de Pixels em CFTV: como calcular px/m e dimensionar o campo de visão. Neste conteúdo, o objetivo é interpretar corretamente a evolução normativa e traduzir o resultado operacional em requisitos auditáveis.
Limitações dos números: luz, movimento, lente e ângulo
Um rosto pode ocupar muitos pixels e ainda ser inutilizável se estiver desfocado ou apresentar rastros de movimento. A velocidade do obturador define quanto tempo a luz é integrada em cada quadro; exposições longas ajudam cenas escuras, mas ampliam borramento em objetos móveis. O projeto precisa verificar a velocidade real de pessoas ou veículos e as condições de iluminação durante os períodos relevantes.
O sentido da luz também importa. Contraluz intenso pode ocultar detalhes mesmo com HDR ou WDR disponíveis. À noite, iluminação infravermelha pode produzir sombras e reflexos diferentes da luz visível; chuva, neblina e superfícies refletivas podem reduzir contraste. A capacidade nominal de sensibilidade da câmera não substitui ensaio noturno no ponto de instalação.
O ângulo de observação é outro fator crítico. Ver o topo da cabeça a partir de uma câmera elevada não equivale a capturar detalhes frontais do rosto. Mesmo uma densidade elevada pode não fornecer resultado necessário quando o alvo aparece de perfil, parcialmente encoberto ou fora da profundidade de campo. É preciso considerar altura, inclinação, trajeto de aproximação e limites de oclusão.
A compressão acrescenta perdas de informação espacial e temporal. Bitrate inadequado, GOP extenso, ruído de imagem e redução de quadros podem comprometer a leitura de detalhes em trechos de interesse. A verificação deve incluir a imagem gravada e exportada, e não apenas o stream vivo analisado pelo instalador. A qualidade de reprodução do monitor também influencia a capacidade do operador de interpretar o material.
Assim, a densidade de pixels é condição de projeto, não certificado automático de resultado forense. Quando o objeto se move, deve-se avaliar sequência de quadros, exposição, qualidade da iluminação e a probabilidade real de registrar detalhes suficientes durante a passagem pela região de interesse.
Requisitos operacionais antes da escolha do equipamento
A especificação deve começar descrevendo a finalidade de cada ponto: observar fluxo geral, detectar intrusão, acompanhar deslocamentos, caracterizar pessoas em uma entrada ou validar detalhes de um evento. Esses objetivos dependem do processo de resposta, da criticidade do local e da forma como as imagens serão utilizadas. Não se pode definir todos os pontos de monitoramento somente com base na resolução das câmeras.
Os requisitos operacionais de imagem precisam ser traduzidos em posições de câmera, lentes, largura de cena e critérios verificáveis. A definição antes da compra evita especificações guiadas apenas por distância comercial DORI e resolução nominal.
É necessário estabelecer condições de operação: dia, noite, iluminação artificial, fluxo de pessoas, velocidade de veículos, distância máxima do alvo, largura do campo e períodos de maior risco. Para áreas externas, devem ser considerados chuva, contraste, iluminação de apoio e alterações sazonais que mudam o cenário. Para ambientes internos, portas envidraçadas, displays luminosos e zonas escuras também influenciam a imagem.
A matriz pode distinguir requisito visual e exigências complementares. Um ponto projetado para leitura de placa precisa verificar placa real na velocidade e no ângulo esperados, com iluminação e parâmetros apropriados. Um sistema de analytics pode impor pré-requisitos específicos de pixel, perspectiva e taxa de quadros que não coincidem com as tabelas de interpretação humana da IEC 62676-4:2025.
| Item da matriz | Definição necessária | Evidência de atendimento |
| Objetivo de vigilância | Decisão que deve ser possível tomar | Cenário de teste aprovado |
| Nível de desempenho | Categoria de 2025 adotada | Densidade e resultado em campo |
| Distância e percurso | Localização mais desfavorável do alvo | Planta e teste no ponto extremo |
| Iluminação e movimento | Condições de dia/noite e velocidade | Gravação representativa |
| Uso das imagens | Monitoramento, busca ou exportação | Teste no fluxo efetivamente usado |
| Resposta operacional | Responsável, tempo e escalonamento | Procedimento e evidência de operação |
Essa abordagem evita o erro de escolher primeiro a câmera e depois tentar justificar a aplicação com uma distância de catálogo. Também orienta o contratante a diferenciar um requisito verificável de uma promessa subjetiva de imagem “nítida” ou “excelente qualidade”. A responsabilidade técnica deve abranger especificação, interface com rede, gravação e condições de aceitação.
Por que a distância DORI do datasheet não deve determinar sozinha o projeto?
As fichas técnicas de câmeras continuam exibindo distâncias calculadas a partir de modelos históricos de pixel density. Esses valores são úteis para triagem de alternativas, mas dependem de resolução e lente, muitas vezes com referência ao centro da imagem. Uma distância comercial de identificação não comprova que a câmera irá produzir evidência visual adequada em todas as cenas, horários e condições climáticas.
Em grandes perímetros, a seleção de câmeras de longo alcance exige separar o alcance do iluminador IR, a distância indicada na ficha DORI e a densidade efetivamente gravada no alvo. Essas propriedades podem apresentar distâncias muito diferentes e precisam ser verificadas com a lente prevista para o projeto.
É comum que fabricantes utilizem calculadoras de lente para estimar densidade em determinada distância. Esse resultado deve ser acompanhado pela largura efetiva do campo, altura de montagem, distorção, perspectiva e região de interesse. Uma câmera pode alcançar a densidade desejada em área estreita e, ao mesmo tempo, deixar zonas laterais sem cobertura ou criar oclusões.
Ao comparar dois produtos, é necessário conferir se os cálculos consideram o mesmo modelo e a mesma edição de referência. Um produto pode publicar o conjunto DORI antigo e outro fornecer uma avaliação baseada na IEC 2025. Comparar diretamente valores sob nomenclaturas diferentes pode levar a conclusões incorretas. O projeto deve normalizar finalidade, densidade e desempenho esperado na mesma zona física.
As distâncias também variam conforme zoom e resolução utilizada. Uma lente varifocal pode permitir alterar campo de visão durante a instalação, mas isso não garante que a configuração final foi preservada ou registrada. A equipe deve medir a condição de campo e documentar distância, focal, resolução, orientação, zoom digital e parâmetros de gravação.
Para múltiplas câmeras, mapas de cobertura e zonas de interesse permitem verificar se há redundância, pontos cegos e transição adequada entre campos. O artigo Pontos de Monitoramento em CFTV: especificação, densidade e validação complementa o estudo por localização, enquanto a mudança normativa deve ser incorporada ao memorial de todos os pontos.
Como atualizar memoriais e contratos redigidos com DORI de 2014
Um contrato existente pode ter citado explicitamente a IEC 62676-4:2014 ou utilizado valores DORI sem identificar a edição. O primeiro caso permite rastrear o critério contratado. No segundo, é necessário esclarecer a intenção de uso antes de reinterpretar as exigências. Não é correto alterar unilateralmente níveis, densidades e valores de aceite sem avaliação técnica e análise das obrigações contratuais.
O processo de atualização deve gerar uma matriz de correspondência documental que preserve a referência original e registre o critério adotado na revisão. A nova classificação não deve ser usada como tradução palavra por palavra. Em especial, o antigo Identification de 250 px/m não pode ser renomeado Validate ou Scrutinize sem reavaliar objetivo, geometria e condições da imagem.
O responsável pela engenharia deve separar três decisões: reconhecer o que foi contratado no passado, determinar se a instalação existente cumpre o resultado operacional e decidir se a atualização da norma justifica retrofit ou mudanças de escopo. Uma instalação pode funcionar satisfatoriamente para sua finalidade, embora a terminologia de 2014 esteja superada. Por outro lado, atender à densidade histórica não garante que o sistema cumpra novos requisitos de investigação.
Para novos processos de compra, é recomendável indicar edição da IEC, requisitos operacionais por ponto, método de demonstração e limites de aceite. O termo de referência também deve declarar iluminação, movimento, armazenamento, rede, exportação e documentação final. O objetivo é contratar resultados mensuráveis, e não apenas nomes de câmeras ou palavras do catálogo.
A revisão formal pode afetar quantidades, escolha de lentes, altura de instalação, largura de cobertura e custos. Se determinado ponto exige 500 ou 1.500 px/m para finalidade específica, o campo de visão necessário pode ser significativamente mais estreito que o previsto com 250 px/m. Essas consequências precisam ser conhecidas antes da aprovação de orçamento e cronograma.
Aplicações práticas: perímetro, entrada, recepção e estacionamento
Em perímetro extenso, a operação frequentemente precisa primeiro perceber deslocamento e distinguir tipo geral de objeto para acionar resposta. Uma câmera panorâmica pode ser suficiente para situar um evento, mas não necessariamente para descrever detalhes individuais. A matriz de requisitos deve prever a zona em que o detalhe visual passa a ser exigido e, quando necessário, um segundo ponto para registrar a aproximação.
Em entrada principal, a finalidade pode envolver verificar alguém conhecido, comparar ações ou registrar detalhes relevantes de passagem. É preciso posicionar a câmera considerando iluminação frontal, ângulo, distância e velocidade de entrada. Uma câmera no teto que registra somente o topo da cabeça pode produzir densidade nominal elevada e falhar na tarefa de caracterização ou validação.
Em estacionamento, observar veículos circulando e ler placa são tarefas distintas. A câmera de visão geral mantém contexto; a câmera dedicada à placa trabalha com lente, obturador, exposição, iluminação e geometria próprios. Os requisitos específicos de reconhecimento automático por software não devem ser derivados automaticamente das categorias de interpretação humana da IEC 62676-4.
No varejo, a distinção entre acompanhamento de circulação, investigação de incidentes e leitura de detalhes em pontos de caixa pode exigir câmeras com diferentes enquadramentos. Concentrar todas as funções em uma única câmera de campo muito aberto costuma prejudicar a densidade nos locais onde ela é mais importante. Projetos melhores associam objetivo, cena e consequência operacional.
| Cenário | Pergunta operacional | Como validar |
| Perímetro | Que tipo de objeto cruzou a área? | Imagens nas zonas limite e sob iluminação real |
| Entrada de pedestres | É possível caracterizar e validar detalhes relevantes? | Passagem real, perspectivas e ângulos variados |
| Estacionamento | A placa é recuperável na velocidade prevista? | Teste diurno/noturno com veículos |
| Área de caixas | A câmera preserva detalhes úteis do evento? | Gravação e exportação de cenários controlados |
A norma orienta a definição de desempenho; a engenharia relaciona essa orientação ao trabalho das equipes de segurança e ao risco de cada ambiente.
Aceitação em campo: medir pixels e comprovar a finalidade
A aceitação deve combinar geometria verificável e resultado observado. Uma planta pode demonstrar distância, focal e largura do campo de visão, mas a fiscalização precisa registrar as condições efetivas de instalação. A resolução do stream utilizado no ensaio deve ser aquela que será gravada ou disponibilizada para a finalidade, evitando validar apenas uma imagem de configuração temporária.
O plano deve prever alvos e cenários representativos, inclusive nos pontos mais desfavoráveis. Em locais externos, avalie noite, contraluz e movimento quando esses fatores fazem parte do risco. Em entradas, examine deslocamento real de pessoas; em vias, veículos nas velocidades previstas. O responsável técnico deve definir previamente o que caracteriza sucesso, falha ou ensaio inconclusivo.
A densidade de pixels pode ser estimada sobre uma régua ou alvo de dimensão conhecida colocado na zona crítica. Essa medida não substitui a verificação funcional, pois pixels disponíveis não garantem detalhes legíveis. Avalie também compressão, foco, exposição e qualidade da imagem exportada pelo VMS, incluindo a integridade de resolução e taxa de quadros.
O relatório de aceite deve identificar câmera, posição, configuração, condições de luz, trajeto, horário, versão do software, resultados e pendências. Se houver alteração de zoom após o teste, os resultados precisam ser revistos. O mesmo vale para redução da resolução de gravação ou mudança de bitrate. A condição entregue deve corresponder à condição ensaiada.
Os critérios específicos de testes e inspeção de imagem são aprofundados em Densidade de Pixels em CFTV: inspeção e aceite. A contribuição deste artigo é assegurar que os níveis empregados nesses testes correspondam à edição normativa e à finalidade operacional correta.
Analíticos de vídeo e imagem térmica exigem cuidados adicionais
A interpretação humana de vídeo, tratada nas referências de densidade para câmeras visuais, não deve ser confundida com desempenho de analytics. Software que conta pessoas, detecta eventos, analisa filas ou identifica objetos possui requisitos próprios de posição, resolução, cenário, iluminação e treinamento. A IEC 62676-4:2025 não deve ser apresentada como uma tabela universal de precisão de algoritmos.
Quando a imagem participa de detecção automática ou análise de dados, os critérios do algoritmo não são os mesmos usados na interpretação humana. A engenharia precisa distinguir objetivo de segurança, métrica do software e condições de funcionamento.
Para analíticos, a equipe precisa definir eventos, métricas e critérios de acerto, incluindo taxa de detecção, falsos alarmes e condições operacionais permitidas. A instalação deve ser testada com as situações que o software realmente observará. Alterações de posição da câmera, lente ou firmware podem comprometer desempenho mesmo quando a densidade nominal da imagem permanece semelhante.
Câmeras térmicas também utilizam princípios de detecção distintos das câmeras visuais. A imagem depende de contraste térmico, lente e resolução do sensor, além de condições ambientais. Os níveis de densidade visual humana não podem ser aplicados automaticamente a sistemas térmicos sem considerar a metodologia específica prevista para esse tipo de sensor.
Outra diferença ocorre quando uma imagem é usada como fonte de Business Intelligence: o interesse pode ser um evento estatístico, não a identidade de uma pessoa. Isso altera o requisito visual e pode dispensar níveis de detalhe elevados em determinadas aplicações. O projeto precisa respeitar minimização de dados, finalidade do tratamento e segurança da informação.
A relação entre captura e uso da informação é aprofundada nos conteúdos sobre Video Analytics e videomonitoramento. A clareza de finalidade evita superdimensionar câmeras ou coletar mais detalhes do que a operação necessita.
Critérios para comparar propostas e responsabilizar fornecedores
Uma proposta tecnicamente comparável deve apresentar objetivo de cada câmera, nível exigido, referência normativa, distância e campo de visão, método de cálculo, condições de ensaio e parâmetros de gravação. Marca, resolução nominal e distância comercial DORI podem ser informações úteis, mas não constituem o conjunto completo de evidências de atendimento.
A matriz de conformidade precisa indicar quem fornece lentes, suporte, iluminação, infraestrutura de rede, VMS, gravação e ferramentas de teste. Se o instalador altera a focal para melhorar uma câmera, essa mudança pode afetar a cobertura de outra zona. Interfaces devem ser gerenciadas pela engenharia, com controle documental de revisão, autorizações e efeitos da modificação.
O contrato deve distinguir resultados absolutos prometidos de condições de referência e limites conhecidos. Não é realista garantir identificação em toda condição climática sem delimitar as premissas. A mesma exigência vale para reconhecimento facial por software: as taxas e condições de operação precisam ser próprias da aplicação contratada e demonstradas com ensaios.
Em compras de câmeras, recomenda-se comparar a solução no conjunto com sua lente, iluminação, instalação, rede e armazenamento. Se dois fornecedores utilizam modelos de densidade diferentes, é necessário normalizar o critério antes de avaliar preço. Também convém exigir amostra de configuração ou teste de prova de conceito em pontos críticos.
O projeto de CFTV IP e videomonitoramento deve estabelecer esses requisitos antes da contratação, e o comissionamento de equipamentos deve registrar se o resultado foi entregue nas condições acordadas. Isso transforma o modelo de pixels em instrumento de decisão, não em mera expressão comercial.
Considerações finais
DORI permanece relevante para interpretar documentos e fichas de câmeras associados à IEC 62676-4:2014. Entretanto, especificações contemporâneas precisam reconhecer a revisão IEC 62676-4:2025 e sua estrutura de sete requisitos operacionais, com densidades de referência distintas. Não se deve reutilizar o valor de 250 px/m como promessa genérica de identificação nem equiparar nomes de modelos diferentes sem avaliar a finalidade de cada nível.
A engenharia deve começar pelo que a operação precisa ver e fazer, definir as condições da cena, escolher o enquadramento e comprovar o desempenho nas imagens realmente registradas. O cálculo de pixels auxilia o planejamento, mas a entrega depende de iluminação, lente, movimento, compressão, rede, VMS, testes e documentação. A especificação mais útil é aquela que permite ao contratante verificar um resultado concreto, e não apenas confirmar um número de catálogo.
A conformidade depende de evidências de campo, com o sistema configurado conforme será entregue. O teste deve abranger imagem gravada e exportada, condições de iluminação, movimento e regiões críticas especificadas.
Referências técnicas
[1] INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. IEC 62676-4:2025. Video surveillance systems for use in security applications — Part 4: Application guidelines. Disponível em: https://webstore.iec.ch/en/publication/83425.
[2] AXIS COMMUNICATIONS. Densidade de pixels com base na norma IEC 62676-4:2025. White paper, setembro de 2026. Disponível em: https://whitepapers.axis.com/pt-br/pixel-density-based-on-iec-62676-4-2025.
[3] AXIS COMMUNICATIONS. Densidade de pixels com base na norma IEC 62676-4:2014. White paper, abril de 2026. Disponível em: https://whitepapers.axis.com/pt-br/pixel-density-based-on-iec-62676-4-2014.
[4] AXIS COMMUNICATIONS. From DORI to Visual Performance in IEC 62676-4:2025. Disponível em: https://newsroom.axis.com/blog/iec-62676-4-video-surveillance.
[5] AXIS COMMUNICATIONS. Quality with a purpose — Video surveillance image requirements. Disponível em: https://whitepapers.axis.com/en-us/quality-with-a-purpose.
Perguntas frequentes
Não como estrutura principal de níveis. A revisão de 2025 define sete requisitos de desempenho visual; DORI continua útil para interpretar especificações baseadas na edição de 2014.
Detection, Observation, Recognition e Identification, com referências habituais de 25, 63, 125 e 250 pixels por metro.
Overview, Outline, Discern, Perceive, Characterize, Validate e Scrutinize.
Não. Na classificação de 2025, 250 px/m está associado a Characterize; a finalidade deve ser interpretada segundo a edição aplicável.
500 pixels por metro no modelo apresentado para a IEC 62676-4:2025.
A referência publicada é de 1.500 px/m, sem dispensar validação real da imagem.
Não. Iluminação, ângulo, foco, movimento e compressão podem tornar a imagem inadequada mesmo com densidade nominal elevada.
Somente depois de normalizar referência normativa, resolução, lente, condições da cena e o resultado operacional exigido.
A referência de visualização humana não deve ser transferida automaticamente para software analítico, que tem requisitos próprios.
Identificar a edição, preservar o histórico dos requisitos e formalizar qualquer mudança de critério de ensaio ou escopo.
Com medições e ensaios em campo sobre as imagens efetivamente gravadas, considerando distância, iluminação, movimento, lente e exportação.
Resolução é uma propriedade do sensor ou stream; o nível visual depende dos pixels sobre o alvo e da usabilidade real da imagem.
Materiais técnicos complementares
Soluções relacionadas
Serviços relacionados
- Projeto de CFTV IP e Videomonitoramento
- Projeto de Segurança Eletrônica Integrada
- Comissionamento de Equipamentos
Conteúdos principais sobre o tema
- Densidade de Pixels: como calcular px/m
- Câmera de Longo Alcance: distância DORI e lente
- Pontos de Monitoramento e IEC 62676
